De bacalhau clássico a cordeiro assado e sashimi: doze restaurantes em São Paulo para um almoço memorável no Domingo de Páscoa.

São Paulo não celebra a Páscoa de uma só maneira. Na mesma cidade onde o aroma do bacalhau com natas pode chegar da janela de uma cozinha portuguesa no Jardim Paulistano, um pargo maturado por dez dias ganha a brasa no Itaim Bibi, e um vol-au-vent de frutos do mar sai do forno artesanal na Rua Augusta. Para quem procura uma mesa bem posta neste domingo, a cidade oferece pelo menos doze endereços à altura da data, com menus especiais que vão do mais tradicional ao deliberadamente autoral.

Bacalhau com sotaque português: a tradição que resiste

Nenhuma proteína marca a Páscoa com tanta consistência quanto o bacalhau, e poucos endereços de São Paulo carregam essa herança com tanto critério quanto a Tasca da Esquina, no Jardim Paulistano. Comandada pelo chef português Vítor Sobral, a casa, há 14 anos instalada no Brasil, preparou para a data duas receitas para retirada: o Bacalhau ao Forno, com lombo, cebola caramelizada e batatas assadas (R$ 980, para quatro pessoas), e o Bacalhau com Natas, desfiado e gratinado em creme aveludado (R$ 740, também para quatro). Para quem prefere comer no restaurante, a Caldeirada de Bacalhau com batata-doce assada e salsa (R$ 450, para dois) está disponível até o próprio domingo de Páscoa.

Caldeirada de Bacalhau – Tasca da Esquina

A Mercearia do Conde, na esquina da Rua Joaquim Antunes, fundada em 1991 e há mais de três décadas parte da paisagem de Pinheiros, aposta em dois clássicos de execução precisa. O Bacalhau à Gomes de Sá (R$ 158) traz lombo previamente demolhado em leite, cebolas douradas em ponto de caramelização cuidadosa, batatas, azeitonas e ovos caipiras. No mesmo cardápio, o Espaguete Mediterrâneo com polvo puxado no azeite e ervas frescas (R$ 132) usa massa produzida na própria casa e aposta na limpeza do prato para que o sabor do molusco seja o verdadeiro centro.

Bacalhau em outras línguas: identidades que ampliam o repertório

Fora do eixo português, o bacalhau aparece em releituras que revelam quanto a data se diversificou. No Casa Santo Antônio, na Granja Julieta, endereço indicado pelo Guia Michelin pelo oitavo ano consecutivo, o chef Neto Lobato propõe o Bacalhau Mascarpone com Batata Rösti e Brócolis (R$ 189): a cremosidade do queijo italiano equilibra a intensidade do peixe, enquanto a batata crocante resolve a textura. A opção ao bacalhau é o Spaghetti Nero di Seppia com Lula, Camarão, Limão Siciliano e Bottarga (R$ 147), massa de tinta de lula com frescor cítrico e profundidade mineral.

No Ninetto Trattoria, a leitura é ainda mais leve: a Lasanha de Bacalhau com Molho de Alho-Poró e Toque Cítrico (R$ 95) distribui o peixe em camadas contidas, usando a acidez para controlar a cremosidade e evitar o resultado pesado que costuma assombrar pratos com muitas camadas. Aspargos, tomatinhos confit e azeitonas pretas fecham o prato com contraste de textura. Já o Peppino Cantina vai na direção oposta, com o Fettuccine alla Salsa Cremosa di Baccalà Gratinate con Tapenade (R$ 120), onde o molho denso, finalizado ao forno, ganha a salinidade e a profundidade da pasta de azeitonas. Sem firulas, com boa execução.

Além do bacalhau: cordeiro, parrilla, frutos do mar e o Oriente no prato

Para quem busca outras narrativas, a Páscoa paulistana oferece cordeiro, brasa e identidades que fogem completamente do script habitual. No Loup Restaurante, recomendado pelo Guia Michelin em 2025 e comandado por Daniel Sahagoff e Fabio Reinholz, o almoço de domingo combina um Bacalhau à Romana com tomate concassé, pinoli e manjericão (R$ 260) com uma Paleta de Cordeiro assada lentamente ao lado de batatas douradas e brócolis (R$ 170). A sobremesa, um ovo recheado com creme de cumaru, gel de maracujá e mousse de chocolate meio amargo (R$ 54), equilibra doçura, acidez e notas aromáticas com precisão.

No Corrientes 348, na Consolação, a Páscoa tem cheiro de brasa argentina. O Bacalao Parrillero (R$ 252) chega à mesa com batatas douradas e manteiga de ervas, enquanto o Salmón Parrillero (R$ 199), selado no fogo com cebola grelhada e alcaparras, apresenta uma leitura mais delicada do mesmo calor. Para a mesa que prefere crustáceos, os Camarones 348 (R$ 228) são preparados ao alho com a intensidade defumada característica da grelha.

vol-au-vent de frutos do marBistrot de Paris

O Bistrot de Paris, na Rua Augusta, nos Jardins, aposta no vol-au-vent de frutos do mar (R$ 176), símbolo da pâtisserie salgada francesa. A massa folhada é produzida artesanalmente pelo chef Alain Poletto com manteiga francesa. O recheio cremoso de frutos do mar completa o prato com elegância sem ornamento.

No Imakay, no Itaim Bibi, o pargo maturado por dez dias chega espalmado na brasa (Peixe Na Brasa), acompanhado de yaki onigiri e legumes grelhados: o calor intenso da grelha e a delicadeza do corte coexistem com equilíbrio. A Casa Baruk, em Higienópolis, propõe o Kibe Cru Mediterrâneo (R$ 72), com atum fresco no lugar da carne tradicional, trigo sírio, azeite de pistache, pimenta dedo-de-moça e raspas de limão. O Tanit, nos Jardins, oferece a Fideuà de Camarões (R$ 144), massa espanhola de cabelo de anjo em versão adaptada ao paladar brasileiro. Para fechar o arco, o Cantaloup, no Itaim Bibi, apresenta o Lombo de Bacalhau com Arroz Cremoso de Natas, Brócolis Grelhados e Migas de Broa Portuguesa (R$ 228), além de Paleta de Cordeiro para dois (R$ 392), com batatinhas novas, cogumelo paris e demi-glace.

São Paulo reserva, para este domingo de Páscoa, uma mesa generosa e diversa. O bacalhau segue como protagonista de muitas histórias, mas dividindo espaço com o cordeiro, a parrilla, o omakase e o Oriente Médio. A cidade nunca celebrou a data de uma só forma, e é exatamente essa pluralidade que torna o almoço de Páscoa paulistano tão difícil de resumir em um único endereço.

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