Conheça o bar caipira da Vila Madalena perto do Beco do Batman: bolinhos crocantes, galeto de domingo e chopp premiado.

Há poucas semanas, a Rua Aspicuelta ganhou um motivo a mais para lotar, mesmo fora do horário nobre dos bares da região: a segunda casa do Sardosa, a poucos passos do Beco do Batman. A matriz nasceu em 2023 na Vila Leopoldina, sob os sócios Natanael Bertholo, Guilherme Migliorini e Rafael Mosquito, e repete aqui a mesma missão: tirar do papel um receituário caipira que a maioria dos paulistanos nunca provou.

Quem comanda a cozinha na nova casa é Alexandre Villela, o Badaró, sócio e chef da unidade, que descreve a proposta em uma frase: “um boteco típico de comida caipira”. A lista que ele recita de cor já indica o tamanho da tarefa: miudezas como moela, dobradinha e língua, bolinhos variados, pastel de pernil com pamonha, arroz com suã e o PF da casa, fraldinha na cerveja com mandioca gratinada. “Tem muita novidade para vocês conhecerem aqui”, resume.

Um chef que cozinha memória

Antes de assumir o comando da cozinha, Badaró somou mais de dez anos em casas como o Maní. A experiência aparece num bolinho que não sai da matriz nem tem versão em nenhum outro endereço: o cuiabano, de linguiça bovina de fraldinha que ele mesmo desenvolveu para celebrar o aniversário da própria cidade. “Esse só tem no Sardosa”, garante.

Bolinhos do Sardosa

O Bolinho de Quirela com Queijo (R$ 44, seis unidades) chega com casca fina e crocante, miolo macio, o queijo esticando em fio assim que parte ao meio. Já o de Vaca atolada (R$ 48, seis unidades) puxa para o lado mais robusto, recheado de costela desfiada e mandioca em molho rôti, casca dourada e recheio suculento.

Para quem gosta de ir direto ao clássico, a Moela ao molho vermelho chega cortadinha e generosa, perfeita para chuchar o pão ou comer de colher, sem cerimônia.

Uma homenagem no cardápio

Entre os petiscos, o Mercearia São Pedro (R$ 65) carrega uma homenagem que o próprio cardápio assume: tributo a um bar clássico que fechou recentemente na Vila Madalena, servido do mesmo jeito que saía por lá, rosbife de maminha, azeitonas pretas, muçarela cerejinha, picles e tomate assado, tudo montado na mesma travessa.

Petiscos Mercearia São Pedro

Da churrasqueira ao domingo da vovó, o orgulho do chef

Às sextas e aos domingos, a grelha vira o centro das atenções. Badaró mesmo prepara os espetinhos (R$ 16 a R$ 18), entre eles kafta, sobrecoxa e copa lombo marinada, mas é a ponta de peito casqueirada que ele chama de sucesso da casa. Da costela, o elogio é ainda mais direto: “que é demais, derrete”, resume, sem rodeios. Tudo acompanha farofa, vinagrete, arroz e feijão caseiro.

Aos domingos, a casa serve o prato que mais resume a proposta: o galeto na brasa (R$ 150, para duas pessoas), com nhoque à bolonhesa e batatonese. A pele sai dourada e estalada, a carne macia, soltando do osso. Dentro, uma farofa úmida de moela, coração e fígado de galinha, receita da avó do chef, “um prato que é minha paixão”, segundo ele mesmo, que apelidou a combinação de “domingão frango macarrão”. O nhoque chega generoso, coberto por um molho encorpado que gruda no garfo, e a batatonese, defumada e intensa, corta a gordura do prato sem disputar espaço com ele. É almoço de domingo na casa da avó, fartura de mesa grande, sem meio-termo.

Galeto na brasa com nhoque à bolonhesa e batatonese

Feijoada nos dias certos e PF na semana

Quartas e sábados são dia de feijoada completa (R$ 160 para compartilhar, R$ 85 individual), com arroz, farofa, couve, torresmo, bisteca grelhada, banana à milanesa e um molhinho de pimenta que pede repique.

De terça a sexta, quem assume o almoço é o Panela Velha, o executivo da casa, descrito no próprio cardápio como “comida caseira pra quem não tem o privilégio de almoçar em casa”, sempre com salada e sobremesa inclusas.

As opções vão do frango com creme de milho à milanesa ou grelhado, a mais em conta (R$ 47), ao PF de filé mignon à milanesa, acebolado ou só grelhado, a mais cara (R$ 59), passando pelo virado à paulista, com tutu de feijão e costelinha de porco (R$ 49), e pelo estrogonofe de carne com batata palha (R$ 57).

Executivo da casa

Chopp premiado e drinks de assinatura

Poucas coisas explicam tanta gente voltando quanto o chopp. Sai nas versões claro (R$ 12,50), escuro e pingado (R$ 13,50 cada), e rendeu à casa o reconhecimento da Academia Chopp Brahma, braço técnico da Ambev, entre os cinco melhores do estado de São Paulo em 2024. Na mesa, a diferença aparece no colarinho firme e na temperatura certa, sem intermediário.

Entre os drinques, a batidinha de coco chama atenção por uma escolha que foge do óbvio: é feita com vodka, não cachaça, e ainda assim o coco não pesa, o equilíbrio se sustenta até o fim do copo, fechado com raspas de limão-siciliano por cima, que soltam perfume já no primeiro gole. A caipirinha que leva o nome da casa combina caju, limão e um xarope de capim-santo.

Pudim de leite, receita de família

Depois de tanto sal, a régua de qualidade não cai: o pudim de leite (R$ 22), receita da avó do chef, sai cremoso, sem furinhos, no ponto de doçura que não enjoa, candidato sério a um dos melhores da cidade.

Vale o segundo endereço?

Vale. A segunda unidade não é apenas mais um endereço com a mesma logo, é prova de que o formato aguenta expansão sem perder o que fez a matriz dar certo: cardápio extenso, atendimento atento e preço que ainda cabe no bolso para o tanto que se come. Não seria surpresa ver um terceiro Sardosa antes do fim do ano.

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Sardosa Bar 

Endereço: Rua Aspicuelta, 42, Vila Madalena
Telefone: (11) 97659-0326
Atendimento:Terça à quinta, 12h às 15h e 17h às 0h; sexta e sábado, 12h às 0h; domingo, 12h às 19h30

Instagram: @sardosabar

Fotos: Dapio

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