De 12 a 15 de março, São Sebastião recebe chefs nacionais e cozinheiros locais para celebrar a identidade caiçara à beira-mar

Há uma cena que se repete toda manhã em Camburi, em Maresias, no Porto Grande e em outras praias de São Sebastião: um pescador arrasta a canoa para a areia, abre o isopor e negocia diretamente com quem vai transformar aquele peixe em almoço. Esse gesto cotidiano, invisível para a maioria dos turistas que chegam pelo fim de semana, é exatamente o que o Festival Gastronômico Caiçara tenta colocar no centro da conversa desde 2017.

De 12 a 15 de março de 2026, o Complexo Turístico da Rua da Praia, no Centro Histórico de São Sebastião, volta a receber a programação, que mistura aulas-show com chefs nacionais, cozinheiros locais e uma grade cultural que inclui música ao vivo e oficinas de artesanato. A entrada é gratuita, o espaço é pet friendly e a curadoria é do chef Eudes Assis, do Taioba Gastronomia, em Camburi.

chef Eudes Assis

Assis não chegou ao festival de fora para dentro. Ele veio de dentro. Formado pela Le Cordon Bleu, construiu seu trabalho em cima de um argumento que parece óbvio mas raramente é praticado com consistência: a melhor cozinha caiçara não está nos menus de São Paulo. Ela está nas casas das comunidades tradicionais do litoral norte, nas receitas que nunca foram escritas e nos ingredientes que os grandes centros ainda não aprenderam a nomear.

Chefs que chegam com história para contar

A programação da Cozinha Show de 2026 funciona como uma conversa entre universos que raramente dividem o mesmo palco.

Na quinta-feira, dia 12, André Marques abre a série de aulas. O apresentador, com mais de 25 anos de carreira na televisão, não é chef, e não tenta ser. Sua presença no festival faz sentido por outro caminho: ele faz da cozinha um espaço afetivo, uma maneira de falar sobre ingredientes e produtores para um público amplo, sem o peso técnico que às vezes afasta o espectador comum da gastronomia.

Já na sexta-feira, quem entra em cena é o próprio Assis, acompanhado de dois nomes do Terraço Jardins, restaurante do Renaissance São Paulo Hotel. Raul Vieira, chef executivo da casa, foi o responsável por levar o restaurante ao título de melhor de hotel do Brasil e da América Latina pelo World Culinary Awards. Seu trabalho passa pela culinária caipira e caiçara reinterpretada com técnica de cozinha internacional e comprometimento com pequenos produtores. Ao lado dele, Renan Mattos, subchef e pesquisador, que há anos mapeia ingredientes nativos da Mata Atlântica, muitos deles ainda sem espaço nos cardápios convencionais.

A presença dos dois em São Sebastião não é protocolar. Vieira e Mattos trabalham com uma cozinha que se propõe a escutar o território antes de propor qualquer receita. Numa programação que celebra a identidade caiçara, essa postura faz mais sentido do que um nome famoso desconectado do tema.

No sábado, Davi Araújo e Daniel Santos, do Ondara, em Camburi, assumem o palco às 18h. São chefs locais, que operam no mesmo litoral que o festival celebra. Larissa Januário fecha a noite. Comunicadora e apresentadora do canal Sabor & Arte, do Grupo Band, ela comanda os programas “Vem Larissa” e “Jantar o quê?”, e carrega uma linguagem que torna a gastronomia acessível sem simplificá-la.

O encerramento, no domingo, dia 15, reúne o grupo de maior peso coletivo da programação: Thiago Castanho, Marcelo Corrêa Bastos e Gustavo Rodrigues, os três sócios do Sororoca Bar, em São Paulo. Castanho é um dos nomes mais importantes da cozinha amazônica brasileira, fundador do Remanso do Peixe e do Puba, em Belém. Corrêa Bastos comanda o Jiquitaia e é reconhecido pela defesa dos ingredientes regionais. Rodrigues trabalha com espécies de peixes brasileiros ainda pouco valorizadas no mercado, com foco em consumo responsável.

O encontro dos três em São Sebastião, no Dia do Caiçara, tem uma lógica: a cultura do peixe, da pesca artesanal e da culinária costeira não pertence apenas ao litoral norte paulista. Ela conecta comunidades do Pará ao sul do Brasil.

Economia local em quatro dias de gastronomia

Em 2025, 30 estabelecimentos de São Sebastião participaram do circuito gastronômico do festival. O movimento gerado foi de aproximadamente R$ 280 mil em quatro dias. O público total chegou a 25 mil pessoas por edição.

Esses números importam menos como vitrine e mais como evidência: um festival com entrada gratuita, realizado por uma prefeitura de município de médio porte, com investimento em curadoria e programação cultural consistente, gera impacto econômico real na cadeia local.

A iniciativa é da Prefeitura de São Sebastião, por meio da Secretaria de Turismo e da Fundação Educacional e Cultural Deodato Sant’Anna, a Fundass. Ao longo de suas edições, o evento já recebeu chefs como Alex Atala, Helena Rizzo, Eric Jacquin, Rodrigo Oliveira, Janaína Torres, Bel Coelho, Renata Vanzetto e Henrique Fogaça, entre outros.

Cozinha caiçara não é tendência, é patrimônio

O Festival Gastronômico Caiçara acontece no mês que concentra duas datas simbólicas para São Sebastião: o Dia do Caiçara, em 15 de março, e o aniversário de emancipação político-administrativa do município, no dia 16.

Essa coincidência de datas não é acidental na escolha do calendário. O festival existe para lembrar que a cozinha caiçara é uma expressão cultural com história, técnica e identidade próprias, não um estilo decorativo para cardápios sofisticados da capital.

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Festival Gastronômico Caiçara 2026

12 a 15 de março
Das 17h às 23h
Complexo Turístico da Rua da Praia – Centro Histórico – São Sebastião (SP)
www.saosebastiao.sp.gov.br | www.fundass.com.br

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